Não
Não foste tu que nasceste para me salvar
nem eu a ti
Na ilusão do sangue nem sei mesmo se existes
se ao respirar dás vida ao vento
e se ao chorar
se enchem de murmúrios as águas pelo caminho
Mas é em ti que repousa este silêncio
desditas fortuna cansaço deslumbramento
nos teus olhos o meu ninho
o meu tormento
Agarra-me
com as mãos etéreas da distância
Beija-me
sôfrega esfomeada milenar
Não deixes que pare de te sonhar
Não temo a desilusão
Pois até numa miragem
existe consolo
esperança
eternidade
e salvação
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Implosão
tudo acabou
as estrelas dobraram-se pelo estômago
sangraram olhos
desligaram cintilações
tremeluzentes planetas implodiram vazios
aqui estou eu
flutuando
tudo desapareceu
acabou
fontes secaram
rios inverteram o seu fluxo
árvores nasceram definhadas
pássaros sem asas
ou coração
sóis sacrificaram-se na tua lembrança
porque para ti nunca chegou um universo
tudo morreu
acabou
esqueceste-me e sou nada!
as estrelas dobraram-se pelo estômago
sangraram olhos
desligaram cintilações
tremeluzentes planetas implodiram vazios
aqui estou eu
flutuando
tudo desapareceu
acabou
fontes secaram
rios inverteram o seu fluxo
árvores nasceram definhadas
pássaros sem asas
ou coração
sóis sacrificaram-se na tua lembrança
porque para ti nunca chegou um universo
tudo morreu
acabou
esqueceste-me e sou nada!
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Lágrima de nada
Esta lágrima é uma lágrima de nada
Nela sobrevive o desespero de te querer desesperada
louca na minha loucura
conhecendo o destino
entregando no teu corpo o futuro
desenhando nos teus lábios promessas
sabendo que estaria aí
perto do fim do meu passado
abrindo essa porta no limiar dos teus olhos
abandonando-me na tua pele
Esta é uma lágrima de nada
sem sal
profundamente líquida
como a ponta dos meus dedos no teu peito
E, tu que secaste as minhas lágrimas, devolveste-me um mar de dor
(diariamente a tua não-presença continua a assombrar-me...)
Nela sobrevive o desespero de te querer desesperada
louca na minha loucura
conhecendo o destino
entregando no teu corpo o futuro
desenhando nos teus lábios promessas
sabendo que estaria aí
perto do fim do meu passado
abrindo essa porta no limiar dos teus olhos
abandonando-me na tua pele
Esta é uma lágrima de nada
sem sal
profundamente líquida
como a ponta dos meus dedos no teu peito
E, tu que secaste as minhas lágrimas, devolveste-me um mar de dor
(diariamente a tua não-presença continua a assombrar-me...)
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
De vazio em vazio
Comemoro hoje simbolicamente o fim de um vazio
recebo de braços abertos outro igual
nesta passagem borbulhante de cansaço tilintando
acolhendo um novo anoitecer
em tudo igual aos que foram
aos que virão.
E de vazio em vazio vou saltando
no fio dos etéreos muros sangrando
no escuro, cada vez mais ténue
o teu olhar, a tua alma, a minha guia.
Fecho os olhos, sonho-te, não te quero perder.
Despeço-me, por isso.
Até breve, quem sabe,
numa floresta, um dia...
recebo de braços abertos outro igual
nesta passagem borbulhante de cansaço tilintando
acolhendo um novo anoitecer
em tudo igual aos que foram
aos que virão.
E de vazio em vazio vou saltando
no fio dos etéreos muros sangrando
no escuro, cada vez mais ténue
o teu olhar, a tua alma, a minha guia.
Fecho os olhos, sonho-te, não te quero perder.
Despeço-me, por isso.
Até breve, quem sabe,
numa floresta, um dia...
.
R V
.
Direitos de autor: http://www.worldartfriends.com/pt/club/poesia/de-vazio-em-vazio
.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Renascimento
Esta triste quase obrigação
de ser feliz e solidário!
Afinal, é natal.
Recuso essa capa
que tantos vestem.
Está gasta, usada, bolorenta.
Afivelar um sorriso
engolir o desespero.
Afinal, é natal.
Mas nos caminhos perdidos
não há árvores nem estrela
para aqueles que cruzam as passagens
de olhos fechados.
Se me fosse concedido voltar
e agarrar a tua mão
acariciar o teu cabelo
percorrer os limites dos teus lábios.
Se me fosse concedido saber
os segredos escondidos onde tu estás.
Afinal, é natal.
E eu queria que fosse primavera.
DIREITOS DE AUTOR: http://www.worldartfriends.com/pt/club/poesia/renascimento
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
O Mundo ao Contrário (2004) - Xutos e Pontapés
"Se gosto de ti, se gostas de mim, se isto não chega tens o mundo ao contrário..."
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Sonhos perdidos
Se nunca me amaste,
porque é que os teus lábios
formularam palavras impronunciáveis
na distância do horizonte
e humedeceram os meus no abraço dos corpos?
Se nunca acreditaste,
porque disseste acreditar
e pediste o viajar das minhas mãos,
o percorrer do meu olhar?
Há palavras que só se dizem
no silêncio das palavras,
promessa de dias que não têm anoitecer.
Se nunca me amaste
mas pronunciaste
e disseste acreditar
de nada valeu a distância e o infinito,
o silêncio do encontro dos meus lábios.
De nada valeu sonhar.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Estranhos, consciência e extraterrestres
Deixaste de ser estranha desde a primeira palavra que escreveste.
E deixaste, num plano de consciência no limiar daquela zona cinzenta de onde vêm os sonhos. Aqueles sonhos que Merlin traçou e pelos quais Vivianne o aprisionou.
Tudo são lendas, projecções, mas com elas o passado e o presente marcam a nossa alma.
E está tudo nos teus olhos... se pudesse olhar para eles.
Julga-me brandamente, porque deliro.
Queria apenas que me tivesses concedido continuar a desvendar quem conheci sem conhecer.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Persistência
Eu não procuro reconhecimento
na persistência das palavras que me assombram
Sou eu só
Descobri pouco a pouco
o que tu nem sabes que existe
do outro lado do ar pegajoso que te rodeia
que te envolve
e se cola aos teus pulmões
Estendo a imperfeição dos meus defeitos
um tapete áspero agreste e repulsivo
Sou eu só
Virtuosamente feio e vazio
marca insustentável que precede o abandono
estrada que asfalto na passagem do meu sangue
gotas de embaraço da paixão eremita
alojada no santuário do meu peito
Sou eu só
tudo o que dei
tudo o que sonhei
fui sempre eu
e é tudo o que sei
Subscrever:
Mensagens (Atom)