sexta-feira, 14 de maio de 2010

No silêncio onde te encontro

É no silêncio onde te encontro que me sinto mais vulnerável.
Capaz de grandes e pequenas coisas.
Esse silêncio onde te proteges e resguardas fingindo uma timidez que é o teu traço perfeito.
E eu fecho os olhos e vejo-te colorida, abandonada, em casa, deitada nos meus sofás, descansando.
Estou aqui, contrariando esta vontade de te escrever qualquer coisa, de te falar de qualquer coisa, n'importe quoi.
Apenas observando esse silêncio melodioso, matando a minha sede e guardando a tua imagem.
Sê bem-vinda ao mar da ilusão.


Después


E DESPUÉS DE PERDER TU MIRADA, SI QUEDAN MI ALMA E OJOS VACÍOS...


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Inelutável

Eu
imóvel
em ténue equilíbrio no gume afiado do teu peito

Sim
sei mais de ti do que tu descobres
ao tocar a tua alma num simples beijo

E
de tudo guardo a vontade
de não voltar a ser o que fui antes de nós

Sinto-te
sei que estás aí

longe de mim

Assim

perdida dentro de ti
e não me deixas encontrar-te


- Eu - Sim - Sinto-te - Assim -

Dou-te um Abraço

Amplo, silencioso. Com o silêncio e amplitude das coisas que não se dizem.


Improvável, inatingível, inadiável...


Saber que as coisas estão lá, mas inatingíveis, será que chega para apaziguar os nossos pequenos demónios inquietos? Não, não chega!

O que não se vê e não se sente, o que é infinito e distante, não existe. É apenas uma eventualidade, uma miragem traiçoeira da imaginação. Assim como eu.

Pior do que física, é esta paralisia “pentaplégica” dos sentidos. Ver sem olhar, deglutir sem saborear, respirar sem cheirar, ouvir sem escutar, mexer sem tactear. Estar vivo sem viver. Ter alma e não saber...

As estrelas estão lá. Teoricamente. E eu também. É isso que sabes, sentes e vês de mim.

Tu estás a começar a tua viagem. Eu estou a chegar ao fim da minha. E ainda não me mostraram o porto de destino.

Pelo caminho tudo foi ficando.

Resta-me apenas a vontade urgente de chegar e desembarcar,

Depressa.

Meine Liebe


"DORT WO DER HIMMEL DIE SEE BERÜHRT
DORT BERÜHRT MEINE LIEBE DAS UNENDLICHE"

("assim como toca o céu no mar
assim toca o meu amor no infinito")

A água que bebo


Enquanto não sais, eu não consigo sair.
Enquanto não entras, eu não consigo viver.
Enquanto durar, serei.
Enquanto eu for, direi.
Neste deserto, a água que bebo.

Cine Paradiso

Se a vida fosse um filme, e o paraíso aqui mesmo... a saudade não passaria de um momento, de uma lágrima, um beijo...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dorme, meu amor

"Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou há muito tempo;
e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo.
Dorme, meu amor...
A morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres.
Mas nada temas: as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo.
Fecha os olhos agora e sossega a porta está trancada;
e os fantasmas da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei ao caminho.
Por isso, dorme, meu amor,
larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio,
já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos
e estou aqui, de guarda aos pesadelos.
A noite é um poema que conheço de cor
e vou cantar-to até adormeceres."

(Maria do Rosário Pedreira)

Mea culpa, mea maxima culpa...


Mas fujo do quê? Fujo do quê?
Do enredo que eu próprio criei?
Abandono-me a esta auto-comiseração, esta piedade, esta indiferença a que me voto.
Eventualmente irei esquecer-me de viver quando tu te esqueceres do que vivi.
O teu ar trespassa o meu corpo como punhais azuis lançados lá bem do alto pelos deuses.
Abro os meus braços, recebo-te.
A princípio receoso, por fim resignado.
Nada poderia ter feito para te impedir.
És a morte, a vida, a transgressão, o sangue, a paixão, o amor.
Quem sou eu para implorar o teu perdão?